domingo, 17 de abril de 2011

SABIÁ DO PEITO ROXO

Sabiá do peito roxo
De um cantar apaixonado
Seu canto me emociona
Me faz relembrar o passado.

Esse cântico manhoso
Faz a gente sentir saudade
De momentos tão felizes
Tempo de alegria e felicidade.

Seu canto é um hino sagrado
É obra do Supremo Criadoror
Sei que nem o rei dos poetas
Faz canção tão cheia de amor.

Sua mensagem transmite paz
Que o mundo tanto necessita
Sua residência é a natureza,
Onde reina a beleza infinita.

Seu castelo preferido
É o galho da laranjeira,
Onde encontra a felicidade
Ao lado da amada companheira.

– Você é um grande maestro
De um cantar cheio de melancolia
Seu cântico é mensagem de amor
E dono da mais linda melodia.

Sabiá do peito roxo
Que o poeta um dia descobriu
Para enriquecer suas canções
Com a mais linda melodia do Brasil.

Orizona, 17/09/1999

ORIZONA BERÇO QUERIDO

Orizona, meu berço querido,
Terra cheia de encantos mil,
Fica no glorioso Estado de Goiás,
Bem no centro do meu Brasil.

Pequenina no tamanho,
Mas grande é sua beleza,
Terra cheia de fartura,
Onde a vida não tem tristeza.

Aqui não se vê inundações,
Nem seca exagerada,
O calor não é excessivo,
Não cai neve nem geada.

Com sua terra fértil,
Atrai lavourista e fazendeiro,
Aqui a amizade é sincera
De um povo simples e hospitaleiro.

O imigrante que aqui se instala,
Vira orizonense de verdade,
Depois pode até se mudar,
Mas sente amor e saudade.

Não temos grandes rios nem grandes serras,
Orizona é banhada de pequenas minas,
Temos um ar puro e clima agradável,
Nascentes de águas limpas e cristalinas.

Ainda se encontram matas virgens
De angico, barriguda e jatobá,
Nossa fauna está repleta
De jaó, perdiz e sabiá.

Temos também bichos selvagens,
A capivara, o veado e o tatu
Bandeira, onça e meleta,
Paca, cotia e catitu.

Nosso cerrado garante a sobrevivência,
Faz o lavourista alegre e feliz,
Produzindo fartura e riquezas,
Trazendo divisas para o país.

Não temos prédios nem mansões,
Nosso povo é remediado,
Não há riquezas excessivas,
Nem tão pouco favelados.

Nossa comunidade é bem assistida,
Pelas autoridades no dia-a-dia,
Aqui, qualquer cazinha simples,
Tem água tratada e energia.

Na educação e saúde, somos premiados,
Falo de plena consciência e convicção,
Qualquer pessoa que precisa de assistência
Encontra apoio e condução.

Nosso povo é religioso,
Tanto da fazenda como da cidade,
Temos a Santa Padroeira,
Nossa Senhora da Piedade.

Graças a esse espírito cristão,
A preciosa vida continua,
Aqui não temos assalto nem motel,
Mendingo nem menino de rua.

Há grandes representantes,
Filhos dessa terra abençoada,
Por todo canto do meu Brasil,
Minha Orizona é representada.

Salve o berço sagrado,
Onde há alegria e o amor palpita,
Terra de cachaça boa,
Homem honesto e mulher bonita.

Salve Orizona querida,
Que tem o branco e o azul-anil,
Também, o verde-amarelo,
Que são as cores do meu Brasil.


Zezé

MINHA GRANDE FORTUNA

Eram duas horas da manhã
O frio lá fora assoviava
E eu cheio de felicidade
Inspirado essa poes, ia rabiscava.

Maravilhado pela beleza da lua
Que iluminava o infinito universo
E também a minha memória
Para expressar meus sentimentos em versos.

Em meu rancho de tábua
Que é meu sagrado ninho
A solidão é minha grande companheira
Pois passo dias e noites sozinho.

Contemplando uma paisagem tão linda
Obra do Supremo Criador
Me sinto um homem privilegiado
Por viver nesse recanto encantador.

Convivendo no meio de um verde exuberante
Onde não há fumaça nem poluições
Aqui o céu é azul-anil
E o ar puro purifica os pulmões.

Sempre durmo de portas abertas
Sem encômodo e preocupação
Não ouço nem vejo noticiário
Em jornal, rádio e televisão.

Só ouço um toca-fita
Dia e noite, noite e dia
Músicas sertanejas de raízes
As quais me enchem de alegria.

Sou mesmo um matuto
Com muito orgulho eu digo
Amante da vida e da natureza
Vivendo no meu simples abrigo.

Não sou mais escravo do relógio
Como fui em todo meu passado
Às vezes esqueçaté do dia da semana
Vivo sempre tranqüilo e despreocupado.

Não tenho dinheiro no bolso
Mas digo com orgulho e sinceridade
Sou dono de uma grande fortu:na
O sossego, a alegria e a tranqüilidade.

Vejo em cada criação uma companheira
Em cada árvore um abrigo
Assim vivo muito feliz
Vigiado por um cachorro amigo.

Agradecendo a Deus por esta vida
Tão cheia de felicidade e emoção
Que ele mesmo deu de presente
Ao humilde poeta Zé Conceição.


Orizona, 24/12/ 2000
José de Sousa Péres
(Zé Conceição)

À PROCURA DA FELICIDADE

Em busca da felicidade
Deixei minha cidade,
Viajei por esse mundo sem fim,
Cruzei chapada e espigão,
Atravessei cidade e sertão
À procura de algo novo para mim.

Naquele grande desafio
De preencher o enorme vazio
Que sentia meu coração
Saí em busca de aventuras
Passando momentos de amarguras
De angústia, incerteza e depressão.

Andei pelas longas estradas
Empoeiradas, lamacentas e esburacadas
Que cortam as fronteiras da imaginação.
Deparei-me com a realidade,
Pois a tal felicidade
Depende só do coração.

Que às vezes transforma a vida num inferno
Mergulhando a mesma num sofrimento eterno
Faz perder o tão gostoso sabor
Tudo traz desânimo e desilusão
Faz a gente pensar que não há solução
E o coração vira um depósito de rancor.

Todas as esperanças se encerram
Ficam parecendo trincheira de guerra,
Restando somente a desilusão
Muitas vezes há vontade de sair mundo afora
Deixar tudo e ir embora
Em busca da grande solução.

Viajei pelas vias do pensamento
E descobri em meu próprio sentimento
Que a gente é que promove a felicidade,
Pois ela mora dentro da gente
No corpo, na alma e na mente
No mesmo país, mesmo estado e mesma cidade.

Orizona, 15/12/ 2000.
José de Sousa Péres
(Zezé Conceição)

COISAS QUE TRANSTORNAM A VIDA DO HOMEM

Tem coisa que transtorna a vida do homem
Vou dizer para você o que é:
O dinheiro e a bebida
Em primeiro lugar a “muié”.

Pelo dinheiro, o homem sofre e padece
Pela mulher ele entrega a própria vida
Por um rabo de saia e um carinho
Gasta dinheiro comprando bebida.

O dinheiro aumenta a amizade
Trás ao homem mais alegria.
A bebida ameniza o sofrimento
Quando a mulher tapeia e judia.

Pela mulher o homem vira criança
Perde o juízo e fica louco
Bebe cachaça, gasta todo o dinheiro
E ainda diz que acha pouco.

Homem sem mulher
É pássaro da asa quebrada
Acaba se entregando à bebida
E o dinheiro acaba em nada.

Mulher bonita e carinhosa
Quebra qualquer fazendeiro
Sempre acompanhada de bebida
Acaba com a vida e o dinheiro.

Vira um homem desgostoso
Fica sem saber da vida o que quer
Perde o crédito e a amizade
Vira escravo do dinheiro,
Da bebida e da mulher.

Quando tem dinheiro
A amizade é infinita
Compra presente e, bebida
Fica rodeado de mulher bonita.

Vira um rei sem coroa
Com muito carinho é tratado
Recebe elogio de mulher fingida
Tendo dinheiro e a bebida do lado.

Quando falta o dinheiro
Muda toda a situação
A mulher se afasta e despreza
Transforma o homem num beberrão.

Aquele homem que era honesto
Hoje é coisa do passado
Perdeu o carinho da mulher legítima
E vive sem dinheiro e embriagado.

A família sente vergonha e tristeza
Daquele homem que era honrado
Por causa de mulher vulgar e da bebida,
Hoje vive sozinho e abandonado.

Mulher é a coisa mais sublime
Que deve ser com carinho tratada
Não há nada que substitui no mundo
O amor da mulher honrada.

A bebida é deliciosa
Quando é usada com precaução
Faz bem ao corpo e à mente
Relaxa e alivia a tensão.

Dinheiro completa a felicidade
Dá ao ser humano mais alegria
Promove prazer e bem-estar
No convívio do dia-a-dia.

Essas três coisas bem usadas
Vou dizer a pura verdade
Dão ao homem paz e animação,
Também alegria e felicidade.

Se mal usadas, é desastre na certa
É só desgosto e confusão
Geralmente o que alivia o sofrimento
É sete palmos de chão.

Quando se vê uma confusão
Isso eu falo sem receio
É por causa da bebida e do dinheiro,
Ou mulher está no meio.

Depois de observar bastante
Chegou a essa verdadeira conclusão
Esse simples poeta e observador,
Seu grande amigo Zé Conceição.


Zezé

A GRANDE TRANSFORMAÇÃO

Pego nesta simples caneta
Para falar na transformação
Ocorrida em nosso mundo,
Principalmente em nossa região.

Por volta dos anos 50 a 60,
Não existiam meios de comunicação,
Só havia rádio a bateria,
Não tinha televisão.

Transportes eram carro de bois e cavalo,
Carroça, roda de chapa e carroção,
Algum jeep circulava
E com raridade um caminhão.

Estradas patroladas eram poucas,
Tudo feito de enxadão,
Sempre se construía ponte sobre os rios,
Na base do grande mutirão.

Não existia lavoura mecanizada,
Nem adubo, nem tão pouco inseticida,
O homem usava ferramenta manual,
Para ganhar o pão e a vida.

Derrubava as matas virgens
Cheias de angicos e jatobás
Plantava todo mantimento,
Que crescia bonito, sem adubar.

A colheita era feita de carro de bois,
Com muito amor e dedicação,
Guardava-se tudo com fartura,
Principalmente arroz, milho e feijão.

Não existia ônibus nem automóvel,
Trem de ferro era o transporte principal,
Que ligava nossa Orizona
Ao mundo e à capital.

Asfalto na cidade, não havia,
Era cheio de lixo e mamoneira,
Também buraco e matagal,
Tudo colorido de poeira.

Energia elétrica era um sonho,
Água encanada não existia,
Não tinha luxo em nosso meio
Nem tão pouco mordomia.

Hoje, está tudo mudado
Na capital e interior,
Em qualquer rancho simples
Encontram-se aparelho de som
E televisão a cores.

Tanquinho de lavar roupas,
Parece até brincadeira,
Não se usa mais fogão a lenha,
Tem sofá e geladeira.

Condução hoje é muito comum,
Em todo lugar da região,
Filho de pai que andava a pé,
Hoje anda de moto ou carrão.

As máquinas substituem o homem,
Ainda ensinam médico e professor,
Tudo hoje é informatizado,
Na base do computador.

Telefone celular cruza o mundo,
Trocando idéia e informatização.
Televisão mostra fatos chocantes,
Que comovem o coração.

Mostra homem pisando na lua,
Do mesmo modo político de nome.
Mostra nosso rico planeta,
Onde pessoas morrem de fome.

Se você de meia e 3a idade
Parar e pensar na evolução
Que ocorreu de 1950 a 2000,
Nem acredita na transformação.

Parece um sonho o que aconteceu,
A mudança que ocorreu na sociedade,
Tanto para o homem do campo
Como para o homem da cidade.

Eu me sinto até orgulhoso,
Considero-me um veículo de comunicação,
Que assistiu com os próprios olhos
A essa grandiosa transformação.

Esse simples poeta,
Que observa tudo com atenção,
Chama-se José de Souza Péres
Conhecido por Zé Conceição.