Vou falar de antigamente
Para transmitir pra muita gente
Algumas coisas que existia no passado
Houve tantas mudanças
Mas ficaram em mim a lembrança
Em meu arquivo muito bem guardado.
Ouço em sonho o trinado de um berrante
Que num passado distante
Foi sempre repicado nas estradas,
Eram o instrumento dos boiadeiros
Conduzido pelo ponteiro
Para chamar uma boiada.
Aquele repicado manhoso
De um berrante preguiçoso
Tão cheio de emoção
Mas o progresso o desativou
E para sempre transformou
Em relíquia para os heróis do sertão.
Carro de bois também tem sua história
De muita alegria e glória
Nesse querido chão brasileiro
Pois foi o transporte de antigamente
Usado por nossa gente
Nossos grandes pioneiros.
Que com grande sucesso
Transportou nosso progresso
Com muita garra e valentia
Fez de nossa nação gloriosa
Esta terra querida e maravilhosa
Um berço de esperança e alegria.
E o engenho de pau barulhento
Que emudeceu no relento
O som das altas madrugadas
Vou falar a pura verdade
Do seu barulho ficou somente a saudade
E a lembrança que jamais será apagada.
Na minha imaginação
Vejo o monjolo e o pilão
E o rêgo dágua cavado no meio das pedreiras
Relembro e fico muito triste
Pois a casinha de pau-a-pique não mais existe
Ao lado da capoeira.
Onde morava a simplicidade
E transpassava a claridade
Nas noites de lua cheia
Por sua beleza infinita
Ficava ainda mais bonita
E substituía a candeia.
O rádio a pilha era a grande emoção
Pelas suas ondas possantes de transmissão
Diversão que transmitia alegria
Tem dia que fico a imaginar
Vejo em sonho a roda e o tear
Que eram o trabalho das mulheres no dia-a-dia.
Não se compravam quase nada
Fabricavam tinta de anil, ferrugem sabão de dicoada
Diminuindo os gastos da família
Cuia e coité foram trastes a muito tempo
Em tulha de taboca guardavam os mantimentos
Que a família mesma os produzia.
São relíquias do passado
Que na minha memória está guardado
Esse magnífico tesouro
Digo com convicção e sinceridade
Que a verdadeira felicidade
Jamais nascerá em berço de ouro.
ZÉ CONCEIÇÃO 17/04/03
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