quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sinfonia da natureza

Um azulão no céu surgiu
O calor aqueceu a terra
As trovoadas estremeciam
E a chuva despontava lá na cerra

O cheiro de terra molhada
Inspirava grande felicidade
E o coro alegre dos passarinhos
Me fez sentir muita saudade.

Lá na estrada o curiango
Chorava suas mágoas
Com seu grito de alegria
Dizia com sentimento, “corre água”

E o caburé escondido lá no imburuçu
Cantando com seu jeito preguiçoso
Enquanto o urutau lá nas quebradas
Respondia com um suspiro manhoso

Na comueira do paiol
A coruja emocionada piava
Embalado por esses seresteiros da noite
No meu peito um coração suspirava

Recordando um passado distante
Que jamais irá voltar
Mas os momentos de felicidade
São muito gostosos recordar

Enquanto o rei do terreiro batia as asas e cantava
E a chuva caia lá fora
Os passarinhos com muita alegria
Cantavam ao romper da aurora

O piar dos pássaros pretos
Em uma afinada sinfonia
Os quais transmitiam paz
Esperança e alegria

Quando ouvi uma codorninha que cantava
Lá no alto de um cupim
Me senti algo profundamente
Revirar dentro de mim

Para me deixar mais comovido
E acelerar meu sofrido coração
O maestro sabiá cantava com melancolia
A sua já mais imitada canção

Também a saracura três potes
Com muita euforia cantava
E o pobre do xororó
Lá na palhada solitário piava

A perdiz com seu pio apaixonado
Parecia manifestar seu desespero
Pois um assassino sem coração
Matou seu amado e companheiro

Mas lá no mato a jaó
Num piar comovente e carinhoso
Parecia expressar sua paixão
Por seu companheiro tão charmoso

João de barro alegre construía
Bem no alto da paineira
Um seguro e luxuoso apartamento
Para sua amada companheira

Enquanto isso a rolinha fogo-pagou
Desfilava lá no areião
Juntamente com a juriti
Na mais perfeita união

Com tanta coisa linda ao meu redor
Me senti profundamente inspirado
Para manifestar o sentimento
De um homem super privilegiado

Pois Deus me deu a graça
De nascer no meio de tanta beleza
E a inteligência para expressar em versos
O sentimento profundo, pela sinfonia da natureza.


Orizona 07-09-2001
José de Sousa Péres
“Zé Conceição”

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