quarta-feira, 20 de abril de 2011

HISTÓRIA DO “ZÉ NARDINO”

No dia 13 de junho de 1934
Em Pontinhas nasceu um menino
Que foi batizado pelo nome: José Antônio de Castro
Mas hoje é conhecido por: “Zé Nardino”.

Dizem que ele nasceu raquítico
E demorou a caminhar
Aos sete anos de idade
Ele já começou estudar.

Tendo como professora sua irmã
A qual lhe ensinou a ler e escrever
Com muita calma e paciência
Pois ele não interessava nada aprender.

Seu pai desejava que ele fosse padre
Mas contrariando sua vontade
Internou-o num seminário de padres
Com apenas 10 anos de idade.

Deixou ele no meio dos estranhos
Onde chorava noite e dia
Sentindo-se sozinho e abandonado
Vivendo distante da família.

Não interessando nada pelos estudos
Seu pai vivia no engano
Morou em Goiânia por algum tempo
Mas levava bomba todo ano.

O diretor um dia chegou à conclusão
Que desse mato coelho não sai
Resolveu tomar providências
Comunicando diretamente com seu pai.

Ele sabendo da notícia
Tomou a atitude correndo
Chegou de surpresa para buscá-lo
Sem que ele ficasse sabendo.

Ao chegar, o velho levou um susto
Ouvindo o diretor da escola
Pois o padre dos seus sonhos
Havia sido mandado embora.

Veio para sua casa
O berço que lhe viu nascer
Vivendo ao lado do pai
Que veio logo a falecer.

Com 12 anos foi atirado ao mundo
Sem nem uma instrução
E jogado no serviço
Pelo João seu irmão.

Com apenas 14 anos de idade
Começou a defender sua terra
Sendo quase uma criança
Tomou conta do engenho de serra.

Foram mais de vinte anos
Essa luta de todos os dias
Trabalhando honestamente
Movimentando a serraria.

Sendo de família tradicional
Mesmo no tempo da mocidade
Saía de sua casa a cavalo
Para assistir a missa na cidade.

Sendo de dentro da igreja
Vinha à missa toda semana
Assumindo um grupo de fiéis
Fundaram a Congregação Mariana.

Assim frequentando com dedicação
Durante muitos e muitos anos
Até o fim da instituição
Pelos padres Italianos.

Tocou seu barco para frente
Mesmo desfazendo a irmandade
Passando a ser dirigente de reuniões
Em sua própria comunidade.

Em 1960 veio o casamento
Acompanhado de dificuldade e pobreza
Pois até aquela data atual
Trabalhava apenas em troca das despezas.

Daí em diante começou juntar um dinheirinho
Com muito esforço e economia
Sempre comprando uma bezerrinha
Com seu trabalho do dia-a-dia.

Já com 6 filhos pequenos
Seus gastos foram aumentados
Saiu em busca de outras rendas
Pois tudo se tornou mais apertado.

Resolveu comprar um trator
Seu grande sonho ou pesadelo
Vendeu tudo que possuía e comprou
De uma série foi o primeiro.

Foi lutando dia e noite
Porque ficaram dívidas para pagar
Com aquele trator velho
Ele começou a trabalhar.

Logo o trator queibrou
Ele recebeu um arranco danado
Difícil foi encontrar outra peça
Pois o trator era importado.

Arrumou o trator e foi trabalhar
Na região por todo lado
Tinha que ganhar dinheiro às pressas
Porque arranjou, foi emprestado.

Em 1968 recebeu uma proposta
Que foi uma grande cilada
Trabalhou 6 meses dia e noite
No final não recebeu nada, nada.

Ficando com a mulher e os filhos
Sem dinheiro e sem nada
Só ficou com a coragem e a disposição
Para enfrentar nova parada.

Se vendo sem opção
Voltou de novo para serraria
Mas a tal doença do trator
De sua cabeça não saía.

Em junho de 1971
A estrela começou a brilhar
No trator do Centro – Social
Zé Nardino começou a trabalhar.

Com honestidade e competência
Garra, força e dedicação
Passou a trabalhar com um trator
Ganhando apenas comissão.

Em 1974, Afonso Ribeiro grande amigo,
Reconheceu seu valor
Teve a coragem e a confiança
Financiou em seu nome um trator.

Da mesma forma fez o Ismael Cuiabano
Vendo sua vontade pura e verdadeira
Financiou também em seu nome
Desta feita uma colheitadeira.

Foram dois grandes presentes
Duas máquinas abençoadas
Sendo financiadas em 5 anos
Mas com 3 anos foram quitadas.

O homem que tem qualidade
Mostra a todos seu passado
Zé Nardino deu lição de honestidade
Comprando várias máquinas e Implementos finançiados.

A pessoa que briga por um objetivo
Deus ajuda a ele em todos momentos
Testando-o com tempos de glórias
De fracassos e sofrimentos.

Quem começou cheio de dificuldade
Mas sempre honesto e persistente
Teve seus sonhos realizados
E matou a fome de muita gente.

Chegou a colher 4 mil sacas de arroz
Alimento por Deus abençoado
Teve a felicidade de ser dono de 8 tratores
E vinte e cinco alqueires de terra plantado.

Em 1991 sua mulher adoeceu
Ele fez de tudo para salvar sua vida
Pois ela foi a grande companheira
Que foi por ele escolhida.

Deus sabe o que faz
Eu acho que ele não erra
Nós somos apenas viajantes
Passajeiros por essa terra.

A morte levou junto a ilusão
E um sonho do passado
Só deixou tristezas e recordações
Em um lar puro e sagrado.

Foram 32 anos de prazer e sofrimento
De feliz união a dois
Que começou em 1960
E terminou em 1992.

Depois de muita angústia
“Zé Nardino” venceu sua batalha
Pois é um guerreiro de punho forte.
Que merecia uma medalha.

Essa história escrevi com orgulho
Falando na vida de um homem honrado
Que mostra a todos conterrâneos
Seu passado limpo e respeitado.

“Zé Nardino” é parte de nossa história
Um orizonense da linha de frente
Reconhecido pela sua fibra e seu talento
Como um homem super competente.

O qual dedico essas simples palavras
Pois considero-o um guerreiro e um homem de expressão
Receba em nome de todos orizonenses
Um abraço de seu grande admirador, Zé Conceição.

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