Viajando no caminho do passado,
Fiquei triste e desnorteado,
Vendo tanta transformação,
Recordando coisas antigas e bonitas,
Que foram modificados ou destruídas,
Na minha querida região.
Às vezes me sinto arrasado,
Vendo tudo transformado,
Dói muito meu coração,
E me vem logo na idéia:
A beleza da mata “véia”
Que hoje só vejo na imaginação.
Não vejo mais a estrada do “Zé da Mata”,
Sinto uma saudade ingrata,
Que muita tristeza me dá,
Sempre que estou sozinho,
Relembro na beira do caminho,
O angicão e o jatobá.
Que cresceram lado a lado
E eram por todos admirados,
Devido ao comprimento e à grossura,
E foi pelo homem desrespeitados,
Sendo brutalmente derrubados,
Deixando recordações e amarguras.
Quantas árvores floridas,
Foram sem dó destruídas,
Sem um pingo de consideração,
Por esse bicho sem piedade,
Cheio de covardia e maldade,
O homem sem amor no coração.
Ali era morada dos passarinhos,
De toda espécie de bichinhos,
Criado pela mãe natureza
Que tiveram de emigrar,
Por não ter onde morar,
Na linda mata da Firmeza.
Olho a beira do ribeirão,
Só vejo uma vasta destruição,
Já não encontro trilheiro nem pinguela,
Tudo que encontro é novidade,
Recordação e saudade,
A vida não é mais aquela.
Também a casa onde morou,
Que um parente derrubou,
O berço de uma grande geração,
Que deveria ter sido preservada,
Por todos reformada e zelada,
A casa de meu avô Abraão.
Que era uma relíquia antiga,
Onde foi gerada tanta vida,
Tão cheia de dignidade,
Serviria como museu,
Para todos parentes seus,
Foi sempre ponto de encontro e amizade.
Tudo machuca e dói, em mim,
Olho a casa do tio Eliseu
E do Zé Joaquim,
Tudo parece triste como eu,
A região foi transformada,
Estradas foram mudadas,
Depois que morreram
“Zé Joaquim” e o Tio Elizeu.
Vejo o mundo cruzado de fios de energia,
Trazendo conforto e mordomia,
A todos da região,
Donde funcionam freezers e geladeiras,
Aparelhos de som e lavadeiras,
Trituradores e televisões.
O carro de bois foi aposentado,
Não se faz mais açúcar nem melado,
Tudo hoje é diferente,
Andam de moto ou de carrão,
Cavalo não é mais condução,
Que transporta toda gente.
Na pastagem, vejo modificação,
Em lugar de jaraguá é brachiarão,
A vida é acompanhada na caneta,
Veja como a coisa muda,
Não se vê mais vaca cabeçuda,
O que fala verdade é vaca preta.
O milho que era dobrado e quebrado,
Hoje é cortado e triturado,
Guardado em forma de ração,
Porco só vê milho como enfeite,
Pois virou alimento de vaca de leite,
Para aumentar a produção.
Hoje ninguém levanta de madrugada,
Para rancar feijão e bater palhada,
Tudo é na base do trator,
Não se vê mais um grande mutirão
E caboclo trabalhador de pé no chão,
Está acabando a profissão de lavrador.
Sei que hoje está muito diferente,
O modo da vida de toda gente,
Da minha querida região,
Escrevendo meus versos eu relato,
Tantas recordações, belezas e fatos
Que comovem o Zé Conceição.
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