A vida do roceiro na cidade
Recebe uma transformação,
Quase sempre trás desgosto,
Desespero e desilusão.
Quando ele mora na roça,
Vou dizer a pura verdade,
Acha que a vida dele é ruim,
Pensa, a vida boa está na cidade.
Vende tudo o que adquiriu na vida,
Com muito trabalho e sofrimento,
Troca a vida calma e tranquila,
Por desespero e tormento.
O primeiro ano na cidade...
Ele fica muito animado,
Trás arroz, feijão e farinha,
Frango, galinha e capado.
Quando termina o primeiro ano,
Então começa a frustação,
Acaba o capado, o fragco e a galinha,
Junto com o arroz, a farinha e o feijão.
Ele que era livre e tranquilo,
Já começa a sofrer,
Tem que enfrentar qualquer coisa
Para comprar o de comer.
Acostumado na fartura,
Fica logo desesperado,
O dinheiro acabou tudo,
Já começa a comprar fiado.
Ele fica desorientado,
Perde aquela animação,
Trabalha dia e noite
E não sobra um tostão.
É só desgosto e sofrimento,
Que ele enfrenta noite e dia,
Não dá conta de dominar a vida,
Perde a rédea da família.
A filha chega de madrugada,
Não há mais paz nem sossego...
Filho não obedece mais,
A mulher perde o amor e o apego.
Vira uma vida sem gosto,
Sempre a relembrar o passado,
Acaba toda a ilusão da vida,
Fica um homem desorientado.
Voltar para a roça não dá mais,
Porque acabou o dinheiro,
Hoje vive de migalhas
E tem fome o dia inteiro.
A família bate o pé
E domina a situação...
O que vou fazer no mato?
Sem geladeira e televisão.
O Consolo é levar a vida,
Não adianta nem falar,
Tem que preparar a alma,
Esperando a morte chegar.
Quero que você ao ler essa história,
Cuide de tirar a sua conclusão.
Se estou certo ou se estou errado?
Quero a sua valiosa opinião.
Quem escreveu esses versos,
É um roceiro de coração.
Que já sofreu muito na cidade,
O seu amigo Zé da Conceição.
José de Sousa Péres
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