Aqui onde eu moro,
É um recanto encantado,
Onde tudo é sagrado,
Desde o amanhecer do dia,
Aqui só se vê é beleza,
Não há lugar pra triteza,
Tudo é paz e alegria.
Moro de tráz do morro,
Onde o guarda é meu cachorro,
Não há luxo nem vaidade,
Pescar é minha diversão,
Eu não tenho televisão,
Vivo na maior simplicidade.
O que me dá mais alegria,
É quando amanhece o dia,
Ir tratar das criações.....
A coisa mais sagrada,
Que é por Deus abençoada,
É minha vida no sertão.
O que me faz mais feliz,
É o ditado antigo que diz:
Que comove o coração,
Quem planta e cria,
Tem gosto e alegria,
Não tem tristeza nem decepção.
É mesmo uma coisa sagrada,
Que deve ser preservada,
É a própria natureza,
Onde morma os passarinhos,
E sobrevivem os bichinhos,
Num grande cenário de beleza.
A alvorada de minha terra,
Onde as belezas se encerram,,
Começa de madrugada,
Canta o galo no poleiro,
O grande rei do terreiro,
Dando a ordem à bicharada.
Pássaro preto canta de alegria,
Ao nascer do novo dia,
Parece mesmo uma festa,
João de barro canta na paineira,
E o sabiá na laranjeira,
O maestro da grande orquestra.
Siriema canta no cerrado,
Saracura no bainhado
Colorindo mais o cenário:
Juriti na capoeira,
Urutau na ribanceira
Aqui não sou escravo do horário.
Eu não tenho vizinho,
Moro num canto sozinho
E não tenho preocupação,
Vivo sempre folgado,
Qualquer coisa é feriado,
Como é gostoso a vida do sertão.
O que mais me entristece
É quando uma criação adoece
E eu não a posso socorrer,
É doído ver um bicho inocente,
Que aparece triste e doente
Sofrendo até morrer
A minha grande riqueza,
É a própria natureza,
Que Deus fe z com tanta amor.
Tenho orgulho de ser roceiro,
Pois no mundo sou pioneiro
Com a profissão de lavrador.
É belo ver no mato o jacú,
Na palhada o inhambú
E a perdiz lá na chapada
E no terreiro a codorninha
Misturada com as galinhas,
Que coisa bonita e sagrada.
O que eu sinto dó,
É ouvir o pio triste do jaó,
Chamando na capoeira.
Um caçador sem piedade
Cheio de covardia e maldade
Matou sua amade companheira.
É mesmo uma beleza,
O encanto da natureza,
Aqui no pé da serra.
Moro na beira de um ribeirão
Que não tem poluição
Como é belo a minha terra.
Ver a água caindo nas pedreiras,
Formando remanços e cachoeiras,
É mesmo uma obra do criador,
Que fez tudo em sete dias
Com muito amor e alegria,
Por isso é que eu dou valor.
Na minha terra tem mais amor,
Onde mora o beija-flor
E as borboletas radiantes.
Há ainda o canárinho e a rolinha,
O pica-pau e a andorinha,
Preciosos como o diamante.
Encontraei o meleta e o tatu,
O bandeira e o tiú,
Existem bicho de todo jeito,
Aqui a natureza preservada,
Não é permitido matar nada,
Caçador aqui não aceito.
Fui criado com humildade,
Com amor e simplicidade,
Em meu querido sertão,
Por isso vivo feliz,
Minha alegria tem raiz,
Bate firme o meu coração.
Eu não tenho um carrão,
Meu cavalo é minha condução,
O transporte primitivo,
Eu não tenho instrução,
Meu diploma é o calo nas mãos,
Mas alegre sempre eu vivo.
Que beleza é sair de madrugada,
Sem precisar ter medo de nada:
De assalto nem de bandido,
Aqui não se vê prostituição,
Nem ataque de ladrão,
No sertão, o povo é unido.
Como é belo ver a lua nascer,
Quando começa anoitecer,
É tudo muito bonito...
O romper da madrugada,
E uma noite estrelada?
E as belezas do infinito?
A chuva enverdece meu sertão querido,
Dá à floresta novo colorido,
Alegrando os passarinhos,
Faz desabrochar a flor,
Que dá ao fruto o sabor
O qual alimenta os bichinhos.
Aqui ainda se reza o terço,
A devoção que vem do berço,
Ainda se tem fé no criador,
Em minha terra, tudo é sagrado,
Conserva-se a tradição do passado,
Tudo é tratado com muito amor.
Tudo alegra a alma do roceiro,
Do mais puro brasileiro,
O grande esteio da nação.
Alegra também esse escritor
Que não é nem um doutor
É o sertanejo Zé Conceição.
Zezé
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